Saiba por que a eleição entre mais de dois candidatos é antidemocrática

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Se você acha que uma campanha eleitoral que apresenta a disputa entre três ou mais candidatos é previsível ou que o resultado reflete o que os eleitores realmente preferem: prepare-se para uma grande surpresa.

Em geral, quando a eleição acontece apenas entre duas pessoas, é possível saber qual delas foi escolhida pela maioria, porque não se tem a margem de resultados de um terceiro candidato.

Por outro lado, quando a situação apresenta três ou mais nomes para uma concorrência, acontece um fenômeno que distorce a realidade da democracia, ou seja, o desejo da maioria.

Para entender como essa teoria funciona, será necessário um pouco de matemática. Observe esse pequeno cálculo:

Se 8 pessoas votaram em José, 5 pessoas votaram em Maria e 4 pessoas votaram em Francisco, pela lógica quem venceu foi José. Mas se você observar, mais da metade dos eleitores não ficaram satisfeitos, pois os 5 votos de Maria somados aos 4 de Francisco ultrapassam o vitorioso José.

Isso prova que mais da metade dos votantes NÃO concordam com o resultado. Outro exemplo clássico que mostra ausência de democracia foram as eleições para a presidência da França no ano de 2007, na qual 12 candidatos concorriam ao cargo. Entre eles, apenas 3 tinham a maioria do eleitorado:

  • Nicolas Sarkozy 31%
  • Ségolène Royal 26%
  • François Bayrou 19%

Para o segundo turno seguiram Sarkozy e Ségolène. O resultado final ficou assim: Sarkozy foi eleito com 53% dos votos, enquanto Ségolène teve 47% do total. Isso nos leva a crer que a maioria votou em Sarkozy por ser a preferência de grande parte do eleitorado francês, mas os pesquisadores e estudiosos Michel Balisnki e Rida Laraki fizeram uma pesquisa denominada Julgamento da Maioria que continha um formulário onde o candidato a presidente figurava entre excelente a rejeitável, e pasme com o resultado!

Quem ficou no topo da pesquisa no nível de excelente a bom foi Bayrou, com 69% dos votos. Veja que ele foi o terceiro colocado entre os três na campanha eleitoral. E não para por aí.

Enquanto Sarkozy e Ségolène ficaram na pesquisa apenas como satisfatórios com menos de 60%, Sarkozy ficou com 28% na coluna rejeitável, mostrando que nem sempre o vencedor da eleição é a preferência popular. Bayrou, que ficou com as melhores colocações como excelente, muito bom e bom, nem foi para o segundo turno.

Em 1770, Jean Charles de Borda realizou um estudo para classificar os candidatos por ordem de preferência, na qual o vencedor seria aquele melhor colocado no ranking de uma escala de aceitação. Mas esse estudo não trazia resultados satisfatórios, pois a somatória das preferências levantaram muitas dúvidas, gerando o Paradoxo de Condorcet.

Em 1951, uma publicação de doutorado de Kenneth Joseph Arrow economista estadunidense, a Teoria da Escolha Social, de significativa contribuição que lhe renderam vários prêmios, ele afirma que democraticamente as eleições deveriam seguir os seguintes critérios:

  • Se todos os eleitores preferem uma única alternativa, então ela é a melhor alternativa.
  • As alternativas podem ser escolhidas livremente.
  • Ninguém tem o poder de escolher sozinho a preferência do grupo todo

Com estas afirmações, chegamos à conclusão que quando existem três ou mais candidatos é matematicamente impossível a votação dar um resultado correto respeitando a democracia. Isso significa dizer que o Teorema da Impossibilidade de Arrow é um salto na afirmação conclusiva dessa questão, ou seja, não existe sistema democrático quando há três ou mais candidatos.

Para se adequar na ordem correta, o sistema eleitoral brasileiro tem que restringir as condições do segundo turno, onde só podemos votar em dois candidatos se anular a escolha livre. E ainda acontece outro fenômeno muito conhecido nas eleições quando se tem três candidatos: na eleição da França o preferido pelos eleitores era Bayrow, que ficou em último colocado, pois quem não queria Sarkozy votou em Ségolène, e quem não aceitava uma socialista no poder votou em Sarkozy.

Isso significa dizer, segundo a pesquisa de Balinski e Rida, que os eleitores não votaram no preferido e sim no que rejeitavam. Uma prova que mesmo a eleição com três ou mais candidatos está sujeita a manipulação de votos.

No Brasil estamos muito distantes de possuir democracia verdadeira nas eleições por conta de vários fatores que nos colocam em situação de risco total em relação ao voto sincero e consciente.

 

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Tomas Filho é jornalista, consultor, palestrante e fundador do Projeto TM Fácil.

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